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Mapas by Oscar Guarin Martinez (COL/BRA)

O vídeo é resultado de uma intervenção em imagens de documentários sobre a amazônia realizados nos anos trinta, e que são objeto de pesquisa da minha tese doutorado. Durante a exploração da relação entre os mapas, a representação geográfica e sua manifestação nos filmes, propósito inicial da pesquisa, deparei-me com uma série de conexões impensadas que tomaram rumo próprio, estabelecendo relações entre questões que aparentemente não tinham vizinhança nenhuma. O geográfico e o biológico, o macro e o micro, como elementos dispostos e representados nos mapas, ou por eles silenciado, se constituem num ponto de partida para estabelecer conexões outras que deslocam as imagens de seu contexto original. A superposição de imagens de mapas — em quanto planos de intervenção do território — com imagens de sobrevoos de aviões e imagens resultado de percursos feitos a través de google earth sobre os rios que aparecem nas filmagens, tentam colocar em tensão a ideia da representação do território e suas diversas formas simbólicas de apropriação. Essas imagens se encontram em diálogo com os desenhos feitos por henri michaux sob os efeitos da mescalina, como uma rememoração da sua viagem pelo amazonas em 1927, e que operam como formas diferentes de apreensão do espaço, onde o macro e o micro se superpõem e se contêm. A selva é um organismo vivo.

Nesse processo, as imagens não foram somente objeto de intervenção. Camadas de som, constituídas por fragmentos tomados dos próprios filmes foram constituindo uma paisagem sonora que articulou as imagens, suas continuidades e desenvolvimentos. Vozes, cantos e sons da floresta se entrecruzam para criar um cenário povoado de discursos fragmentados, opostos e em confrontação: ideias repetitivas que se constituíram em hegemônicas das representações sobre a floresta — lugar inabitado, não visitado previamente e suscetível de ser transformado pelas forças do desenvolvimento e do progresso — são entrecruzadas por um canto funerário bororo, que enuncia a presença em ausência dos habitantes da floresta.

Trechos tomados do filme: The primitive people of Mato Grosso. Penn University, 1931.

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